Futuros astrónomos sem emprego
Astrónomos amadores querem construir um observatório no Pico do Areeiro local desejado pelas condições de observação que regista mas também pela proximidade ao Funchal
Os actuais alunos do curso de Astronomia, da Universidade da Madeira - UMa, não deverão encontrar emprego na Região, quando terminarem o seu curso. A opinião é de Marco Joaquim, vice-presidente da Associação de Astrónomos Amadores da Madeira - AAAM, que a revelou ao DIÁRIO, durante o IV Encontro de Astrónomos Amadores da Madeira. O encontro teve lugar durante o dia de ontem, no auditório do centro de Ciência Viva do Porto Moniz.
Foram objectivos dos debates promovidos reunir os astrónomos amadores da região, Açores e continente; realizar acções de formação; e discutir a importância de um Observatório Astronómico da Madeira.
Sobre este, Marco Joaquim disse ser entendimento da sua associação que o Areeiro é o melhor local, considerando duas vertentes: condições de observação; proximidade do Funchal.
Este segundo factor é, de resto, determinante na preferência da AAAM pelo Areeiro. É que um dos grandes objectivos é a divulgação da Astronomia, nomeadamente através da promoção de sessões de observação, paralelamente às de informação.
Para essas sessões de esclarecimento, a AAAM entende ser adequado um local de fácil acesso, o que em seu entender não se passa com a Achada do Teixeira, em Santana.
Por outro lado, a zona do Areeiro tem presença assídua da Polícia Florestal o que poderá garantir alguma segurança à infra-estrutura.
Marco Joaquim recorda o que aconteceu com o observatório montado pela UMa na Achada do Teixeira. Depois de um temporal ter danificado a infra-estrutura, parte do equipamento foi roubada. Ficou a estupefacção de quem não entende para que serve tais materiais, a não ser para o fim que foram construídos.
Como atrás referido, a AAAM além das acções com os seus associados, desenvolve várias acções de esclarecimento e observação, em escolas e ao público em geral. No âmbito deste último, há quatro anos que vem participando no programa de Verão - Ciência Viva.
Tal participação, além da importância que tem em si, para a AAAM tem outra vantagem. É que os associados prescindem da remuneração que tal lhes daria direito, em favor da Associação. Essa verba é a que tem permitido o funcionamento da AAAM ao longo do ano.
De resto, a Associação vive das quotas dos seus associados, que rondam, em número, as três dezenas. A AAAM está aberta a todos os interessados, sendo que o pagamento da cota anual é de 25 euros.
A Associação está a completar os primeiros cinco anos de vida, ainda que apenas três, como associação independente. É que, nos dois primeiros anos, os astrónomos amadores da Madeira, reuniam-se como secção da respectiva associação nacional.
A AAAM ainda não tem uma sede própria, pelo que, para já, as reuniões vão acontecendo nos cafés e em espaços emprestados.
O IV Encontro teve Gabriel Farinha, presidente da Câmara do Porto Moniz, na abertura e contou com Pedro Augusto, da UMa, Pedro Ré, da FCUL, João Porto, do observatório de Santana, Açores, e do próprio vice-presidente da AAAM, Marco Joaquim.
In: "Diário de Notícias" - 11 de Setembro de 2005
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